domingo, 18 de outubro de 2015

Musicoterapia

O seminário apresenta a história da musicoterapia e indica que há graduação e pós-graduação na área, nas quais o foco costuma ser mais na Neurologia do que na Psicologia. O campo é apresentado pelo texto de Rosemyriam Cunha e Sheila Volpi, A prática da Musicoterapia em diferentes áreas de atuação, como "um campo da ciência que estuda o ser humano, suas manifestações sonoras e os fenômenos que decorrem da interação entre as pessoas e a música, o som e seus elementos: timbre, altura, intensidade e duração" (p. 86). 
Busca-se, com a musicoterapia, que os participantes de desenvolvam, ampliando suas possibilidades de lidar com a realidade circundante, agindo e interagindo com ela e expressando suas subjetividades, de forma que a música, nesse ambiente, possa ser terapêutica. A atuação é ampla, podendo ser trabalhada na promoção, prevenção e reabilitação da saúde, entendida de forma ampliada.
Pode-se utilizar a musicoterapia na educação, ampliando as possibilidades de aprendizado através da estimulação do desenvolvimento de habilidades cognitivas, motoras, sociais e emocionais. Há, inclusive, uma lei nacional (Lei Nº 11.769, de 18 de agosto de 2008) que determina a música como conteúdo obrigatório do currículo escolar, que até hoje, infelizmente, não é bem aplicada nas escolas.
Na área hospitalar, Cunha e Volpi (2008) mencionam a autora Elizabeth Ribeiro Leão, que acredita que "a música no hospital, mais do que útil, sob o ponto de vista terapêutico, é necessária" (p. 92). Segundo as autoras, a música estimula a expressão de sentimentos e oferece acolhimento e presença, o que contrin=bui para a recuperação dos pacientes. No seminário foram apresentados casos específicos em que a musicoterapia pode ser praticada, mas eu questiono se não deveria ser em qualquer caso, como apresentado no texto indicado, em que é feita com as parturientes.
A prática pode ocorrer também na área social, e como exemplo temos os Meninos de Araçuaí, as Meninas de Sinhá e as mulheres lavadeiras, que musicalizaram suas vivências e, supostamente, sofriam menos a partir disso. O foco principal da musicoterapia nessa área seria prevenir e promover o bem estar e a saúde, tornando a vivência do cotidiano mais prazerosa e gratificante.
Toda a prática parece extremamente interessante, e no que se refere à mim, ainda mais atraente e difícil, devido à minha relação atual com música. Entretanto, apesar de o texto afirmar que existem princípios teóricos que fundamentam a prática, a pergunta "como funciona?" continua sem resposta para mim, uma vez que parece a maioria dos que praticam a musicoterapia de forma eficiente não são formados, nem têm conhecimento dos princípios teóricos que afirma-se existir para a prática.

Atendimento Psicológico Online

O texto proposto pelo grupo (O Atendimento Psicológico Online: aspectos éticos do uso da internet - Juliene Anton, 2013) aponta com clareza que o atendimento online realizado por psicólogos "não deve ser um atendimento terapêutico, não sendo capaz de oferecer 'cura' ou melhora para psicopatologias, mas sim um trabalho de orientação.
Ao pesquisar sites de atendimento psicológico online, é possível encontrar descrições do trabalho que corroboram com a afirmação da autora. O atendimento é chamado de "orientação online" e aponta como obejetivos "dar suporte emocional, promover acolhimento e orientação sobre questões que estejam angustiando aqueles que nos procuram, com a facilidade de estar acessível e ao alcance de um computador" (PAVAN e SEGAL). As psicólogas destacam que "essa modalidade de atendimento apresenta um objetivo diferente da psicoterapia presencial. Trata-se de uma ferramenta de trabalho que é focada em queixas específicas. Não substitui a psicoterapia presencial [...]".
As vantagens dessa modalidade de atendimento são claras: acessibilidade, maior conforto, evita gastos de tempo e financeiros com deslocamento, além da diminuição de custos para o profissional.
Fica claro que não existe consenso sobre o assunto entre os profissionais, assim como não houve consenso no momento do seminário, entre os participantes. Apontou-se a preocupação em relação ao setting, ao sigilo, à ética e à eficacia, comparando-se estes pontos em relação à psicoterapia presencial. Foi pesquisada em sala a resolução do CFP que regulariza a prática, na qual é determinado o que é e não é permitido, inclusive indica que não é permitido curar psicopatologias. Apontamos que a ética do profissional deve ser a mesma tanto no consultório físico quanto nos atendimentos online, que o contrato entre o profissional e o cliente deve ser estabelecido independentemente da modalidade de atendimento e que este deverá conter as características do atendimento, inclusive do setting.
Acredito que um bom fechamento para esse debate tenha sido o que falou a Kind, que é preciso pensar "o quanto a gente demoniza e o quanto a gente aproveita", e que devemos evitar posicionamentos polarizados e precoces.

Psicologia, marketing, cores*


"Little boxes on the hillside
Little boxes made of ticky tacky
Little boxes on the hillside
Little boxes all the same
There's a pink one and a green one
And a blue one and a yellow one
And they're all made out of ticky tacky
And they all look just the same"
                                        Malvina Reynolds
"As cores constituem estímulos psicológicos para a sensibilidade humana, influindo no indivíduo, para gostar ou não de algo, para negar ou afirmar, para se abster ou agir. Muitas preferências sobre as cores se baseiam em associações ou experiências agradáveis tidas no passado, e portanto, torna-se difícil mudar a preferência sobre as mesmas" (SANTOS, 2000, p. 10)
O uso da cor está relacionado aos costumes sociais, e a cor está diretamente ligada ao consumo. "Cientificamente, nada comprova a existência de um processo fisiológico que explique o porquê dessa reação física do homem à estimulação de cor" (p. 7), entretanto, podemos notar no dia-a-dia como as cores nos afetam e que agem em nós, apesar de não sabermos exatamente como. 
O Marketing então se utilizaria dessas preferências, e dos comportamentos de compra e consumo, para chamar atenção dos clientes potenciais. A empatia (colocar-se no lugar do outro) é uma ferramenta de grande importância para que o marketing funcione.
É interessante como que necessidade e desejo passam a ser vistos tão próximos, e com as chamadas "jogadas de marketing", parece não existir diferença entre um e outro, a necessidade é criada. Os profissionais de publicidade usam de conceitos psicológicos para despertarem o desejo de compra nos consumidores.
A "Psicologia das cores", por mais incongruente que possa parecer, é estudada muito mais por pessoas da área da comunicação do que da Psicologia, que fazem uso dela para vender produtos, imagens, etc. Existe, realmente, um campo científico chamado "Psicologia das cores"? Fica essa pergunta, juntamente com: "qual a posição da Psicologia em relação ao tema?" e "como podemos estudá-lo, utilizá-lo em nossas práticas?" 

*Foi particularmente difícil ler e participar do seminário em sala sobre o assunto, por ser extremamente delicado para mim nesse momento da vida, de forma que o estudo do tema foi mais permeado por questões subjetivas do que cognitivas.

Psicologia e Literatura: a influência do livro na construção da subjetividade

                                       "Não era uma menina com um livro:
                                         era uma mulher com seu amante"
                     

"Era um livro grosso, meu Deus,
era um livro pra se ficar vivendo com ele, 
comendo-o, dormindo-o"


                                                                               "'E você fica com o livro por quanto tempo quiser'.
                                                                               Entendem? Valia mais do que me dar o livro:
                                                                               'pelo tempo que eu quisesse' é tudo que uma pessoa,
                                                                               grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer."

Clarice Lispector - Felicidade Clandestina

Liesel, personagem de Markus Zusak, roubava livros. Quaisquer que fossem os livros, em situações perigosas, em uma época perigosa. Li o livro no início da minha adolescência, e me encantava ao ler a paixão da menina - me encantava ao sentir a paixão da menina...
Acredito que, se uma pessoa tem uma boa relação com a literatura, estudar o assunto - especialmente à luz da Psicologia - fará com que ela pense em sua história com livros, à sua construção de vida permeada por esses objetos cheios de significados - carregados de subjetividade.
Meu primeiro vício literário


Por mais bobo que possa parecer, leio até hoje
O autor disse que eu inspirei essa história
Curioso como os que mais me marcaram foram os livros da adolescência
  Capa Livro Felicidade Clandestina                                                   
Concordo com Goulart (2012) em seu artigo "Com nos constinuímos leitores? Um estudo sobre o livro e as experiências de leitura" quando ela diz do envolvimento afetivo do leitor com o livro, mas não me convenço que essa afetividade está necessariamente atrelada ao objeto. O objeto é importante, mas não seria a história também um objeto?
A autora afirma: "Nessa relação entre o leitor e a leitura, o impresso ganha um papel exclusivo, por ele se cultiva uma intensa ligação marcada pela interação fisico-afetiva e pelas emoções que surgem dessa relação." (p.29).
Por minha experiência com a literatura eu poderia dizer que ter o livro é bom, a sensação de possuí-o é deliciosa (como descreve bem a menina do conto de Lispector), mas me importa mais seu conteúdo, ou simplesmente sua existência.
Quando quem escreve (ou seria quem lê?) consegue ir além da palavra (do simbólico), consegue alcançar o real, acho que é aí que o (a) leitor (a) se encontra com o livro. É quando, por mais que existam as palavras, não são estas que intermedeiam a narrativa. Vive-se o livro.
"Quanto maior a naturalidade com que o narrador renuncia às sutilezas psicológicas, mais facilmente a história se gravará na memória do ouvinte, mais completamente ela se assimilará na sua própria experiência e mais irresistivelmente ele cederá à inclinação de recontá-la um dia. Esse processo de assimilação se dá em camadas muito profundas e exige um estado cada vez mais raro." (BENJAMIN apud GOULART, 2012, p. 34 e 35)
Continuamente me pergunto qual é esse estado exigido e porque ele está "cada vez mais raro". Seria uma característica da personalidade? Uma construção social/subjetiva? Me falta teoria para responder a essas perguntas.
O seminário me proporcionou reações e reflexões emocionais/afetivas, mais do que intelectuais. O ambiente criado foi perfeito para o tema. Foi interessante ouvir sobre os modos de manuseio e manutenção que as pessoas adotam em relação aos livros, e como cada pessoa tem histórias com a literatura. Ela influencia as vidas de quem se conecta com ela, sem dúvida.
Achei curiosa a associação que algumas pessoas fazem entre a leitura e o cansaçõ (na verdade, da falta de vontade de ler ao cansaço). Não sei se é por se tratar de um esforço ou porque a leitura nos enche de conteúdo. Fiquei me perguntando.
Os apontamentos e o vídeo sobre o uso da literatura como instrumento da Psicologia que possibilita intervenção, auxílio em tratamento, ensino, etc, permitiram uma reflexão sobre o lugar da literatura na vida das pessoas e sua influência na vivência de cada um, como foi ressaltado no seminário em relação aos processos de subjetividade.
Foi interessante que, durante o seminário, não ficamos presos à ideia do livro físico, especialmente quando se fala das utilidades da literatura na Psicologia.

A morte espetacularizada



            

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