terça-feira, 24 de novembro de 2015

Setting terapêutico

​A proposta deste seminário surgiu a partir das discussões feitas no seminário sobre atendimento psicológico online, no qual ficou a questão de como se daria o setting terapêutico online, e se ele funcionaria. 
Como já dito no post sobre o seminário mencionado, a
pontamos que a ética do profissional deve ser a mesma tanto no consultório físico quanto nos atendimentos online, que o contrato entre o profissional e o cliente deve ser estabelecido independentemente da modalidade de atendimento e que este deverá conter as características do atendimento, inclusive do setting.​

Durante este seminário, destacou-se que o setting vai além das regras normatizadoras, fazendo menção à Lacan, que combate a padronização das normas, destacando como mais importante o manejo do terapeuta. Ele afirma que a garantia do sucesso terapêutico não está no setting, mas nessa administração do terapeuta.
Entretanto, o grupo aborda a questão de que quando o setting é alterado, haverá também alterações no fluxo do tratamento. Essa alteração parece realmente acontecer, mas então surge a pergunta-reflexão: onde está o setting terapêutico? É um lugar físico? É apenas permeado por questões físicas? Porque, pensando dessa forma, voltamos a Lacan e à importância do manejo do terapeuta.
A professora Luciana Kind apresenta um exemplo prático de administração do lugar físico para que o setting se faça adequado à terapia. Ela conta que dividia a sala de atendimento com uma colega que utilizava o divã e, assim, mesmo que ela não o usasse, o ambiente físico possuía um divã. Os atendimentos puderam acontecer de forma satisfatória e seu cliente sabia como funcionava a terapia, sentando-se sempre na poltrona à sua frente. Certa vez, porém, o paciente perguntou porque eles não utilizavam o divã, ao que ela respondeu que, se ele desejasse, poderia se deitar ali. Ele se deitou e, como a terapia não incluía aquilo, a Luciana se manteve em silêncio. Ele se levantou, sentou-se na poltrona e eles continuaram os atendimentos normalmente. Foi possível que o paciente compreendesse o lugar de sua terapia, sem que isso atrapalhasse o processo.

Discutimos sobre a invasão das novas formas de comunicação no setting, fazendo uma reflexão - como lidar e criar normas de utilização dos aparelhos eletrônicos na terapia?
Moreira e Esteves (2012) concluem que "mais importante do que o espaço físico do setting é o que chamaremos de 'espaço mental do setting', é poder manter os papéis, as regras, a ética em qualquer lugar, sem depender do ambiente físico", respondendo aos nossos questionamentos sobre o lugar do setting terapêutico.

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