"A saúde não se faz somente com médico"
Recebemos o profissional Eder Luiz Nogueira, graduado em Psicologia e mestre em Psicologia Social, para nos apresentar a prática de Psicologia no contexto hospitalar, com a qual ele tem trabalhado no Hospital Odilon Behrens desde 2007.
Ele inicia levantando questões como a importância de qualificar o cuidador, como a doença não pode acabar com o vínculo familiar e a importância do trabalho em equipe nesse contexto. Destaca a necessidade de um planejamento mais amplo em relação à política de pessoal - diferente de RH - na saúde pública e que isso tem resultados, impactos na saúde do trabalhador.
Nos mostrou seu livro, que apresenta os bastidores do Hospital Odilon Behrens. Ele relata que só foi possível a existência do livro a partir da prática, e enfatiza que os casos apresentados não são "receitas de como fazer", mas ilustrações de um modo de fazer que nos permite ter parâmetros de agir, ainda que seja modificado, reestruturado e adaptado para cada situação. Ele fala do acidente no viaduto como situação de urgência, o que podemos tomar como exemplo de prática específica, que exige flexibilidade do profissional para lidar.
A atuação do psicólogo nesse contexto se dá no fortalecimento da participação dos demais profissionais, das famílias e do paciente, da articulação e do diálogo da população com a instituição (de forma a proporcionar essa conversação a partir da questão municipal).
A psicologia tem se apresentado mais próxima às atividades hospitalares, tem-se reconhecido o papel do psicólogo em diversas áreas do hospital, mas ainda há bastante desconhecimento em relação a esse papel, sendo o psicólogo muitas vezes visto como "fornecedor de conselhos". Em seu livro, Eder menciona a lacuna na formação do profissional de psicologia para o exercício na área da saúde, especialmente em relação ao SUS.
Ele relata que as gerências das UPAs têm estado mais seguras em relação à subjetividade, no sentido em que não há como se negar o sujeito, e então aparece a demanda compreendendo a necessidade da inserção do profissional psi. Eder cita questões que pedem a presença da psicologia, como "porque tantos retornos?" e "porque a superlotação?"
A Luciana pediu que ele falasse sobre a residência multiprofissional, que tem sido instituída nos hospitais e possibilita a vivência de outros profissionais (e não apenas de medicina) no ambiente hospitalar. Ele explica que o residente tem 80% de prática profissional e 20% de teoria, e tem a oportunidade de pensar o hospital como uma instituição pública de saúde, repensando a questão da saúde tendo como ponto de vista o hospital. Assim, pode-se partir da realidade, e talvez seja uma forma de preencher a lacuna de formação que o autor cita.
Eder ressalta a importância da psicologia social em sua atuação, especialmente na função que lhe é atribuída, de "traduzir" o paciente para os demais profissionais, de entender o caso. Ele exemplifica citando os episódios em que às vezes os demais profissionais acabam tratando mal um paciente para que ele "libere o leito" , e nesse momento a psicologia entra para trabalhar essa realidade, mediar, sensibilizar. Eder também nos chama a refletir sobre um desafio: elaborar um modo de fazer saúde junto com a população. Ele traz a problemática dos profissionais na área da saúde e a porcentagem de readaptações destes, o que revela tanto a dificuldade do trabalho quanto a falta de preparação dos profissionais para esse tipo de atuação.
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