terça-feira, 24 de novembro de 2015

Psicopatia

Este seminário foi proposto pela aluna Brunna Bartole e por mim, por ser um tema de nosso interesse e que consideramos pertinente à discussão sobre saúde e cuidado. Foi um tema extremamente difícil de pesquisar, por haver uma vasta produção de saberes sobre ele, porém poucas fontes que podemos dizer realmente confiáveis. Os artigos encontrados dizem respeito mais ao diagnóstico, relacionando-se ao DSM-V, apresentando definições, critérios diagnósticos e etiologias.
Compreendemos que o tema se relaciona ao cuidado e à saúde na medida em que há a necessidade de desenvolver melhores possibilidade de lidar com os sujeitos denominados psicopatas/sociopatas, uma vez que a única alternativa apresentada atualmente, está no âmbito jurídico, quando estes se apresentam como infratores e criminosos. É preciso destacar que nem todo psicopata cometerá crimes, e nem todas as pessoas que cometem crimes são psicopatas. Entretanto, é primordialmente no contexto jurídico em que estes são diagnosticados, e o senso comum leva muitas pessoas a compreender que as pessoas que cometem crimes e/ou apresentam alguns dos sintomas apresentados por psicopatas são, de fato, psicopatas (como discutimos no seminário sobre o livro "Mentes Perigosas".

Norman Bates, conhecido personagem fictício de Psycho, do escritor Robert Bloch,
interpretado por Freddie Higmore (Série Bates Motel) e Anthony Perkins (Filme Psicose),
e comumente considerado o psicopata nº 1 do cinema.
Um pensamento comum é achar que a Psicopatia e a Sociopatia são patologias distintas, mas o DSM-V nos indica que a Psicopatia, a Sociopatia e o distúrbio da personalidade antissocial dizem respeito ao mesmo distúrbio de personalidade e Nunes (2009) apresenta brevemente a história do termo "Sociopatia", que foi um apelido criado para o transtorno em função das constantes associações das violações das leis à Psicopatia.
Schneider definiu a Psicopatia como "uma anomalia causadora de sofrimento ao indivíduo e às pessoas em seu torno" (BRATUS apud NUNES, 2009, p.155) e por Gomes e Almeida (2010) como um transtorno de personalidade de conduta antissocial que aparece desde a infância, que tem como principal característica uma alteração de caráter e que entre os sintomas principais estão: incapacidade de sentir amor ou afeição, grande facilidade de utilizar charme e manipulação, incapacidade de aprender com experiências, comportamento impulsivo e boa inteligência. Sua característica fundamental é um padrão de negligência e violação dos direitos dos outros que começa na infância ou no início da adolescência e continua até a vida adulta, além de apresentar características centrais de engano e manipulação. Destaca-se que não não há delírios nesse transtorno.
O diagnóstico apresenta-se especialmente complicado devido às características de charme, engano e manipulação presentes nos sujeitos. Dessa forma, o DSM-V indica que as informações adquiridas na avaliação clínica sejam integradas a informações coletadas em fontes adicionais. O diagnóstico é feito apenas em maiores de 18 anos, e o sujeito deve ter apresentado os sintomas desde os 15 anos. São apresentados sete critérios diagnósticos dos quais o sujeito deve apresentar pelo menos três: 1. Incapacidade de conformação às normas com respeito aos comportamentos legais; 2.Falsidade/engano; 3. Impulsividade ou incapacidade de planejamento; 4. Irritabilidade e agressividade; 5. Desrespeito imprudente à própria segurança e dos demais; 6.Irresponsabilidade consistente e 7. Ausência de remorso.
No seminário, abordamos como esses critérios podem ser interpretados, como eles se apresentam em muitas pessoas que não são psicopatas e como isso se relaciona com a constante generalização do "diagnóstico" de psicopatia que as pessoas dão aos sujeitos em seus convívios.
Uma reflexão que tive durante o seminário é que talvez a questão do cuidado se apresente nesse contexto como necessária às pessoas que convivem ou acreditam conviver com psicopatas. Nós como psicólogos podemos nos aprimorar como profissionais conhecendo o assunto para além do senso comum, tendo maior propriedade para intervir nessas situações.
Ao final, saí com a certeza de que ainda há muito para sabermos sobre o assunto, e que a apresentação de definições, sintomas e critérios diagnósticos não são suficientes para o entendimento da Psicopatia. O seminário reforçou a minha vontade de construir e desconstruir saberes sobre este tema, mas ainda me falta muito conteúdo.

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